Após quase duas décadas de espera por uma sequência direta da saga principal em 2D, a Nintendo finalmente lançou Metroid Dread em 8 de outubro de 2021, exclusivamente para o Nintendo Switch. Desenvolvido em parceria com a espanhola MercurySteam, o título marca o retorno da caçadora de recompensas Samus Aran em sua missão mais intensa até agora.
Com gráficos refinados, jogabilidade ágil e atmosfera tensa, Metroid Dread é mais do que uma continuação — é uma celebração da franquia Metroid, que influenciou toda uma geração de jogos do gênero “Metroidvania”.
O Fim da Saga dos Parasitas X
Metroid Dread é a sequência direta de Metroid Fusion (GBA, 2002). Na trama, a Federação Galáctica detecta sinais do Parasita X no misterioso planeta ZDR. Para investigar, sete robôs E.M.M.I. são enviados ao local — mas rapidamente perdem contato.
Samus, agora imune ao X graças à infecção sofrida em Fusion, é enviada para investigar. Logo ao chegar, é surpreendida por um misterioso Chozo hostil e perde grande parte de seus poderes. A missão passa a ser escapar do planeta, desvendar os segredos do local e pôr fim à ameaça do Parasita X de uma vez por todas.
A história é contada de forma minimalista, com momentos-chave em cutscenes e revelações impactantes. É um dos jogos mais narrativos da série 2D, sem comprometer o foco na exploração.
A Fórmula Clássica com Refinos Modernos
Metroid Dread traz a jogabilidade tradicional de ação e exploração lateral que consagrou a franquia, mas com velocidade e fluidez surpreendentes. Samus nunca esteve tão ágil: ela corre, desliza, contra-ataca, escala paredes e atira em 360 graus com grande precisão.
As habilidades icônicas estão de volta, como Morph Ball, Missiles, Bombs, Screw Attack e Speed Booster, acompanhadas de novidades como:
Flash Shift: um teleporte rápido para esquiva ofensiva e defensiva;
Phantom Cloak: camuflagem temporária para se esconder de inimigos;
Storm Missile: disparo múltiplo com mira travada.
A progressão é não-linear, mas cuidadosamente desenhada: você frequentemente se vê voltando a áreas antigas com novos poderes, desbloqueando rotas ocultas e enfrentando novos perigos. O “backtracking” é intuitivo e recompensador.
E.M.M.I.: A Ameaça do Medo
O diferencial de Dread está nos segmentos com os E.M.M.I. — robôs hostis que patrulham zonas específicas do mapa e caçam Samus implacavelmente. Essas áreas transformam o jogo em uma mistura de stealth com terror, exigindo calma e rapidez para escapar.
Quando capturada, Samus tem apenas uma chance quase impossível de contra-atacar e sobreviver. Isso gera momentos de tensão genuína, que justificam o nome “Dread” (pavor).
Conforme avança, Samus adquire a Arma Omega, capaz de eliminar os E.M.M.I., resultando em lutas de tirar o fôlego.
O Isolamento Alienígena
Com gráficos em 2.5D e direção de arte sombria, o planeta ZDR é dividido em biomas únicos — florestas, ruínas Chozo, áreas industriais e cavernas geladas — todos interligados por elevadores e túneis.
A sensação de isolamento e mistério, marca registrada da franquia, está mais forte do que nunca. Não há diálogos excessivos, nem tutoriais intrusivos: o jogo incentiva o jogador a explorar e aprender por conta própria.
A trilha sonora é discreta, com efeitos sonoros que reforçam o clima de suspense. A ambientação sonora, aliás, é um dos destaques, especialmente nas zonas dos E.M.M.I.
Pontos Positivos
Jogabilidade refinada e responsiva – Samus nunca foi tão rápida e fluida;
Nível de desafio elevado, com chefes exigentes e recompensadores;
Mapas bem desenhados, que valorizam a exploração e recompensam curiosidade;
Atmosfera tensa e imersiva, especialmente nas zonas dos E.M.M.I.;
Narrativa envolvente, com revelações importantes para a saga;
Performance sólida no Switch, rodando a 60fps estáveis.
Pontos Negativos
Dificuldade elevada pode frustrar iniciantes;
Zonas dos E.M.M.I. podem parecer repetitivas após certo tempo;
História poderia ter mais profundidade para quem busca enredo robusto;
Pouca rejogabilidade, exceto para quem busca 100% de exploração.
Recepção da Crítica e dos Fãs
Metroid Dread foi amplamente elogiado pela crítica especializada. Recebeu nota 88 no Metacritic e foi indicado a Jogo do Ano no The Game Awards 2021, vencendo como Melhor Jogo de Ação/Aventura.
Fãs elogiaram especialmente a jogabilidade ágil e o clima de tensão constante, colocando-o entre os melhores jogos da série. Vendas também surpreenderam: tornou-se o título mais vendido da franquia Metroid, com mais de 3 milhões de cópias.
Um Retorno Histórico
Metroid Dread é mais do que uma sequência — é uma consagração do legado de Samus Aran e da fórmula “Metroidvania”. Com sua jogabilidade precisa, ambientação envolvente e desafio elevado, o título conquista tanto veteranos da série quanto novos jogadores.
É um dos grandes momentos do Nintendo Switch e, certamente, um dos melhores jogos 2D de ação dos últimos anos. Se você busca uma aventura intensa, desafiadora e inteligente, Dread é uma escolha certeira.
